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Pesquisa: Porque a Educação Musical é para ontem!




Em 2008 surgia um movimento civil chamado "Quero educação musical na escola", gerido por um grupo de especialistas da área musical liderados pelo músico Felipe Radicetti, com o objetivo final de implantar a Lei 11.769/2008 que almejava o retorno do ensino de música no currículo escolar brasileiro, extinto em 1972 pelo então ministro da Educação e Cultura. A prova da relevância dessa causa está na existência de diferentes movimentos políticos em benefício desse objetivo ao longo da nossa história. Desta vez, dentre as várias ações realizadas para difundir e fortalecer o tema e, principalmente, para conhecer a opinião pública sobre o significado e a importância do ensino de música na formação de base, foi realizada uma pesquisa, elaborada e ministrada pela compositora Silvia de Lucca, que participou do grupo citado, cujos resultados estão presentes nesta plataforma de acesso livre.
O interesse em ampliar a interpretação do conceito de educação musical foi uma forte motivação para o desenvolvimento do questionário em questão. Tendo como referência sua múltipla e longa experiência com o ensino musical também para o grande público, a pesquisadora considerou de suma importância dar voz aos cidadãos que o Projeto de Lei envolveria, mesmo que indiretamente, como os pais de estudantes, por exemplo. Tais dados, somados a reconhecidas teorias e experiências dos nossos muitos especialistas, poderiam servir para uma cuidadosa e mais eficiente aplicação da então nova Lei 11.769/2008, em um país ainda sem estatísticas a respeito, cuja população costumeiramente não se autoriza a opinar sobre esse assunto considerado alheio a seu domínio, mesmo vivenciando a música intensa e quotidianamente. Este olhar transversal parte de um ideal democrático, que pressupõe o envolvimento livre de todos os interessados em prol de um desenvolvimento cultural em comum.
A pesquisa ficou disponível por sete meses, de 2008 a 2009, no site do movimento "Quero educação musical na escola", e obteve 2.494 respostas, provenientes de uma ampla gama de interessados com faixas etárias subdivididas estrategicamente, de acordo com diferentes critérios, entre eles: os indivíduos que frequentaram a escola quando havia música no currículo e os que vivenciaram o movimento de contracultura na fase estudantil. Outro aspecto importante foi considerar a origem dos respondentes, ou seja, que fossem provenientes de todo o território nacional. Era fundamental contemplar esta diversidade como tradução de uma realidade sociocultural.
As perguntas elaboradas procuraram traçar um panorama para saber quais seriam as noções, as expectativas e os valores a respeito do assunto. Buscou-se, inclusive, tratar de questões polêmicas no debate sobre o ensino de música, por exemplo, a importância de se ensinar a escrita musical ou não e a escolha do repertório a ser trabalhado. Para tal, além das questões que induziram propositalmente o respondente a um posicionamento definitivo (SIM ou NÃO), cujo resultado pode ser explorado neste site no link Resultado 1, eles também tiveram a oportunidade de emitir seus pareceres por escrito, encontrados no link Resultado 2, acessível por meio de uma longa lista elaborada pela pesquisadora com a colaboração de músicos e leigos, contendo os termos recorrentes à época relacionados à área da educação musical.
A Lei 11.769, implantada em 18 de agosto de 2008, teve sucesso relativo. No texto ficou determinado que a música passaria a ser conteúdo obrigatório do componente curricular no prazo de três anos, mas infelizmente não seria ministrada por especialistas conforme era proposto pelo grupo gestor do movimento. Entretanto, após quinze anos da sanção legal, o ensino de música ainda não faz parte efetiva da nossa prática educacional, salvo poucas exceções. Portanto, os resultados obtidos com o projeto anteriormente realizado, disponíveis nos links acima mencionados, ainda que tenham se tornado públicos tardiamente, continuam a ter relevância no sentido de colaborar na implantação desta política, além de retratar um período histórico importante para a área.
Especialmente notável entre tantas apurações possíveis que a pesquisa favorece, podemos observar que de toda a diversidade representada entre os respondentes, 98% considerou que a existência da música na matriz curricular do Ensino Fundamental poderia colaborar, em médio ou longo prazo, para o desenvolvimento escolar como um todo, apesar das conhecidas dificuldades de nosso sistema educacional. Eis um testemunho selecionado entre os comentários espontâneos feitos a respeito dessa questão, anônimo como os demais: "Em 15 anos de prática pedagógica percebo claramente que a Educação Musical contribui muitíssimo para o desenvolvimento do aluno como um todo, e mais: auxilia grandemente como instrumento catalizador das demais disciplinas."
Com a finalidade de tornar esse trabalho de investigação e análise ainda mais considerável, uma versão 2024 da mesma pesquisa está disponível também nesta página, a título de atualização e comparação. Assim, aqueles que ainda avaliarem o tema como relevante estão convidados a divulgar esta iniciativa e a participar da mesma por meio do link ao lado intitulado Pesquisa 2024.
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.: Pesquisa idealizada e desenvolvida pela compositora Silvia de Lucca, compositora e ativista pela Educação :: Versão 1.0 :.

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